Humberto Gessinger encerra a turnê Insular em São Paulo

Por: Ellen Visitário   Edição: Fabricio Mazocco  Fotos: Teca Lamboglia e JLChinelato

No último domingo, 06, Humberto Gessinger encerrou a turnê Insular com um show na capital paulista. E antes que as cortinas se abrissem na casa de show Tom Brasil, o músico recebeu e conversou com o blog Rock 80 Brasil sobre o que o futuro lhe reserva na nova turnê, Louco Pra Ficar Legal.  

Acabando o que não tem fim…

 
Dessa vez, a ocasião era outra. Não era apenas uma simples apresentação na capital paulista. Era o fim de um recomeço próximo.
 
Humberto Gessinger se encontrava em um palco que do qual se despedia da turnê Insular. Mas… Nada de clima de tristeza nos olhos por encerrar este ciclo, apesar de um céu nublado que rondava a casa de show na zona Sul.
 
Ao som do fim de um breve ensaio de um show que estava prestes a acontecer, Gessinger bateu um papo sobre o que o futuro lhe reservava com a transição da turnê Insular (Ao Vivo) à turnê Louco Pra Ficar Legal.
 
Durante os 150 lugares que o gaúcho de uma banda só passou em turnê, algum desses devem ter prendido a sua atenção. Ele disse que gosta de traçar a estrada como uma coisa só: conhecendo as especificidades de cada lugar, mas não tentando privilegiar nenhuma. “Tenho várias lembranças em cada lugar. São Paulo, por exemplo, tem essa característica de ser a locomotiva do país. Pra quem não é daqui, e está chegando, é um sintoma de que o seu trabalho está chegando no mundo real mesmo. Belo Horizonte tem um significado: tem um público muito doce. E Porto Alegre por ser um lugar onde comecei. Mas eu gosto muito da estrada, eu gosto muito de cidades que, aparentemente, não tem nada de especial. Em cidades pequenas eu gosto muito de tocar. Pra mim, tanto faz palco grande ou pequeno.”
 
Ali, o último show da turnê Insular era considerado como um grande passo do que estava por vir em vez de ser tratado como um encerramento. Humberto contou que as próprias músicas da turnê Insular foram abrindo as portas para as músicas que vão entrar na próxima turnê, uma espécie de renovação no repertório. Sublinhado com os testes de luzes que a equipe traçava em direção ao palco antes do show acontecer, Gessinger completou: “Por outro lado, permanece a estrutura, músicas de todas as fases da minha carreira com essas três instrumentações (baixo/guitarra, teclados e gaita). Tem muita gente que está começando a acompanhar o Insular agora, e isso é uma coisa que não tem como evitar. Sempre foi assim. E acho que a gente tem que seguir em frente porque os trabalhos que a gente fez continuam rolando. A gente não pode esperar todo mundo absorver eles pra gente seguir em frente” – Mas além dessa percepção construtiva, Humberto destacou que “Louco Pra Ficar Legal” será a continuidade desse último formato. Ele já vinha há dez anos com trabalhos em ambientes acústicos, como o Acústico MTV; Novos Horizontes; e Pouca Vogal, mas aí o Insular apareceu e marcou a sua volta no baixo.
 
Nando Peters. Foto: JL Chinelato
Nando Peters e a sua sensibilidade especial nas guitarras
 
Hora do show. Todos sabiam que Esteban Tavares encontra-se em outra fase profissional: dedicado ao seu trabalho solo. Com a casa lotada, o público recepcionou outro guitarrista, ainda tímido, porém, dono de um sublime talento que soava nas cordas de seu instrumento: Nando Peters.
 
“O Nando eu conheci quando eu participei do Acústico do Cidadão Quem, ele tocava guitarra, e aquilo me chamou atenção porque o Duca Leindecker é um grande guitarrista e eu ficava pensando: ‘Pô! O que será que esse cara tem pro Duca estar tocando com ele?’. Fiquei super curioso! Eu senti que ele tinha uma sensibilidade especial. Depois eu vi outros trabalhos dele e ele ficou no meu radar – e ele é um cara que toca baixo também, o que é sempre um perigo tocar mais de um instrumento por que ao mesmo tempo que ele pode te dar uma visão mais ampla da música, pode ser uma coisa também que não te deixe fincar pé em nenhum dos mundos. E eu sei por que eu passo por isso –, então eu dei uma sacada nele, meio de longe.  E aí quando pintou do Tavares se dedicar ao trabalho dele, me ocorreu logo tocar com o Nando. Para além do lance musical que, claro, tem que funcionar sempre, tem um lance de conceito: ele é muito rápido pra sacar. E o meu trabalho não é uma coisa muito simples por que tem várias especificidades nessas músicas que eu toco, então para se encaixar, tem que ser alguém que esteja afim de – além de tocar – pensar e se dedicar a se encaixar nessas especificidades do meu trabalho. E o Nando foi um cara ideal”, disse Humberto, no momento em que uma seguidora do blog Rock 80 Brasil, a Luana Paz, enviou uma pergunta sobre como o eterno líder dos Engenheiros do Hawaii conheceu o Nando Peters. Respondido!
 
E mesmo que o Esteban Tavares tivesse a vantagem de ser super familiarizado com o repertório da carreira musical de Gessinger, Nando se destacou ao tocar ao longo do show as canções “Toda Forma de Poder”, “Todo Mundo É Uma Ilha + Sopa de Letrinhas” e a junção de “Milonga Orientao” com “Longe Demais das Capitais”, além das músicas que contemplavam o set de uma turnê de três anos. De fato, o Nando é dono de uma sensibilidade imensurável.
 
E os preparativos da turnê Louco Pra Ficar Legal?
 
Justamente por trazer um novo guitarrista ao trio, perguntei ao Humberto como estavam os ensaios destas últimas apresentações com o disco “Insular” (ao vivo) e com migração à futura turnê Louco Pra Ficar Legal. Dono do humor mais imprevisível possível, disse: “Tem aquela piada entre uma banda americana e uma banda inglesa. Dizem que na banda americana, eles marcam 04 horas de ensaio, ensaiam 03 horas e 45 minutos e conversam em 15 minutos. Já a banda inglesa é o contrário: ensaiam em 15 minutos e durante 03 horas e 45 minutos eles conversam. E a gente conversa meio a meio com o que toca. Eu acho que música é muito mais do que as coisas das notas, é uma coisa de entrar na mesma frequência mental. E a cada ano é mais difícil pra quem vem tocar comigo porque a cada ano, tem um ano de mais história”. 
 
Entretanto, Gessinger deixou explícito que os ensaios estão sendo bem legais, pois lhe dá a chance de resgatar as ideias sobre as suas novas-velhas canções dessas três décadas dedicadas à música. “Essa mudança de repertório nos obriga a ensaiar bastante – o que é bom pra mim mesmo, porque têm várias ideias que eu tive na época do Minuano para uma canção, como ‘Faz Parte’, que, por exemplo, vou tocar na nova turnê. Então esses ensaios são bons para eu relembrar das minhas ideias, porque quando a gente grava uma música, ela é muito nova pra gente, ela tende a amadurecer. Eu gosto das outras versões das canções dos artistas porque quando a gente grava, ela, geralmente, é quase uma desconhecida: ela ganha nesse negócio de ter um frescor muito grande, mas ela perde pouca familiaridade”. Disse também que cada vez mais gosta de ensaiar e de ficar misturando sons, mas que cada vez menos tem a ansiedade de lançar música nova, então por isso não tem previsão de quando irá lançar um CD solo com músicas inéditas. “Eu tenho algumas coisas novas, mas eu não tenho mais essa ansiedade, o que é bom por que te deixa mais tranquilo para esperar o momento certo – como aconteceu com o disco Insular”.
 
Um trio que veio lá do sul no palco do Tom Brasil. Foto: Teca Lamboglia
Louco Pra Ficar Legal. Por quê?
 
“Eu acho que a gente está numa fase muito cerebral, muito superficialmente engajado, e, no fim, nunca ninguém não se diz a verdade. Estamos todos loucos pra ficar legal. E ‘ficar legal’ não é uma coisa completamente objetiva e racional, tem um pouco de loucura nisso – loucura num bom sentido. E tem esse jogo do louco que pode ser entendido como desejo ou irracional”. 

Além de ser uma canção do álbum Surfando Karmas & DNA, Gessinger destacou que “Louco Pra Ficar Legal”, uma de suas músicas preferidas, entrará na nova tour, e disse também como é gratificante ver o público se conectando com o título da nova turnê. “Acho bacana quando as pessoas tomam posse do conceito – por exemplo “Londrina Pra Ficar Legal”. Com o Insular demorou um pouquinho mais. O Insular tinha uma coisa gráfica muito bacana, que é a palavra SUL no meio do título, já o Louco Pra Ficar Legal cai mais na seção dos títulos longos.”

 
Já a gravação do DVD desta nova turnê que o Humberto mencionou em um texto publicado no BloGessinger, o músico disse que já existem algumas opções de lugares, mas ainda não bateu o martelo, pois a escolha não é muito simples. “Tem o lance do público, da logística. Eu queria fazer uma coisa diferente do Insular (ao vivo), algo mais controlável, mostrar um lado menos expansivo nesta tour. Mas também é uma ideia que eu tive agora, vai depender de tudo como as canções vão soar nos shows”. E mais: “com o tempo, eu aprendi que o grande truque é tu treinar para ficar mais aberto, flexível para sacar os sinais que a vida te manda, não tentar sair com tudo pré-determinado”.
 
A apresentação na capital paulista foi uma ponte para quem quiser presenciar o show que o trio fará em Pouso Alegre/MG, no próximo dia 18. Neste show, Gessinger classificou como sendo a transição da transição. “Em Pouso Alegre, a gente vai tocar algumas canções da tour nova, mas serão três ou quatro. Porém, vai seguir com o cenário do Insular e grande parte das músicas do Insular. Mas vai ter sim alguma coisa nova aos fãs.”
 
A retomada da história dos Engenheiros do Hawaii e do Augusto Licks em 2016
 
Não dava para tocar no assunto futuro sem citar, ao menos, o passado. Durante muito tempo, o Humberto Gessinger liderou a banda Engenheiros do Hawaii que, por sinal, ganhará uma biografia em 2016, assim como também o guitarrista Augusto Licks, que tocou nos Engenheiros entre 1987 e 1993. Sobre a retomada da história dessas respectivas trajetórias, disse: “Eu acho legal que as pessoas se interessem pelo lance que a gente fez e que falem a respeito. Uma biografia nunca é definitiva, então quanto mais gente escrever, mais próximo se chega de onde nunca vai chegar: que é uma visão mais definitiva e certa. A gente sempre se aproxima da história, então quanto mais facetas, melhor.”


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