Para sempre Vital

No dia de hoje, 05 de março, Vital Dias completaria 55 anos. Mas Vital nos deixou na última terça-feira, vítima de câncer. Quem estava em outro planeta nos últimos 30 anos, talvez não saiba que Vital deveria ser (e foi nos ensaios) o primeiro baterista dos Paralamas do Sucesso. A história é assim:

O jornalista Arthur Dapieve conta que no final da década de 70 a família Vianna deixa Brasília e muda para o Rio de Janeiro. A mudança foi a desculpa para o pequeno Herbert se trancar no quarto e mergulhar na sua guitarra Fender. Depois, o amigo  Bi Ribeiro, também de Brasília, muda para o Rio. Compra o baixo. Faltava então um baterista. No cursinho pré-vestibular encontram um cara chamado Vital Dias. O trio estava formado.
No começo era ensaio em todos os finais de semana no apartamento da avó do Bi, a vó Ondina. Com a entrada dos meninos na faculdade os ensaios foram perdendo força até parar e deixar os vizinhos da vó Ondina felizes. Desanimados com a faculdade, eles voltam, agora sim com o nome Paralamas do Sucesso e se inscrevem, em 1981, no Festival da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).
Foram desclassificados, mas conseguiram o bônus de tocar no intervalo. Na hora da apresentação, cadê o Vital? Foi um amigo do Bi que sugeriu e foram lá correndo buscar o João Barone. Assim foram levando: um guitarrista, um baixista e dois bateristas. No ano seguinte foram se apresentar de novo em um barzinho na UFFRJ. Cada baterista tocaria duas músicas, revezando as baquetas. Vital tocou, depois veio Barone… e Vital não voltou mais.
Se não ficou conhecido como o baterista dos Paralamas, Vital ficou conhecido por uma música que foi gravada no primeiro disco da banda “Vital e sua Moto”. A música fala de um rapaz, o Vital, que comprou uma moto e assim vai. Para quem ainda não sabe o Vital da canção não só existe como foi o primeiro baterista dos Paralamas, antes do João Barone entrar.
No livro biográfico dos Paralamas, o jornalista Jamari França conta uma versão um pouco diferente da que está na letra, versão essa contada pelo próprio personagem da música, ou seja, o Vital. Ele conta que diferente do que escreveu Herbert Vianna, o pai do Vital apoiou sim sua compra de moto, tanto é que ajudou com a grana. Outro fato é que a “prima” lá no final da música (“Ele foi com sua moto ir de carro era baixo astral, minha prima já está e é por isso que eu também vou”), a prima não é do Vital e sim do próprio Herbert, a Lili, com quem o próprio Herbert teve um pequeno romance. Só mais uma pitadinha que o Jamari conta no livro: a versão original não tinha o refrão (“Vital passou a se sentir total com seu sonho de metal”). A frase foi inserida a pedido do produtor do disco “Cinema Mudo” que achou que a música tinha que ter um refrão.
Que Vital chegue com sua moto em um campo cheio de paz!

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