O rock anos oitenta da Pitty

 

O rock é definido por tantas formações e pessoas que acreditamos que esse gênero é uma lenda. As pessoas às quais me refiro são os músicos: artistas que são capazes de demonstrar o que sentem quando sobem num palco, cantam e transmitem o que têm nas suas veias.
A cena do rock atualmente não se compara com o rock anos oitenta, afinal, aquele rock que o meu pai ouvia, não é o mesmo que tantos jovens apreciam hoje. Porém, há sempre uma luz no fim do túnel, há sempre uma mulher, cujo nome é Pitty, que transmite o mesmo rock que o meu pai ouvia antigamente.
Sim, sabemos que a Pitty só deu o ar de sua graça em 2003, com o seu primeiro álbum “Admirável Chip Novo”, e convenhamos que a mídia não deu muita importância para uma cantora com cara de “menininha”. “Baiana e roqueira” são as suas principais características à respeito de sua personalidade. A Pitty cresceu ouvindo rock anos oitenta e uma das suas maiores influências, musicalmente e geograficamente falando, foi Raul Seixas. Que por sinal, a criança que foi criada em Porto Seguro que ouvia as músicas de Rauzito no toca-fita do restaurante de seu pai, cresceu!
Em 2004, a menina-mulher participou do “Baú do Raul”, um tributo homenageando o lendário Raul Seixas. A baiana cantou e encantou com o seu estilo a canção “Eu sou Egoísta”. Ainda no ano de 2004, a Rita Lee reparou na porta da MTV uma mulher de cabelo comprido, vermelho, e de estilo próprio. Era a Pitty. A partir dali, pintou o convite para participar da gravação do DVD “Rita Lee – Ao vivo MTV”. Ao lado da “mamãe”, Pitty cantou “Esse Tal de Roque Enrow”. Naquele instante, muitos caíram em si e repararam o quanto o rock anos oitenta se destacava, ao poucos, na carreira da Pitty.
Mas não parou por aí, não! Ainda em 2004, o guitarrista Edgard Scandurra tinha feito um arranjo diferenciado à uma canção tanto melancólica quanto singela. Assim que concluiu, Edgard sentiu a necessidade de uma voz feminina, intensa e ao mesmo tempo significativa àquela canção. Então ele pensou ligeiramente na Pitty! A própria cantou ao lado dos garotos do Ira! no Acústico MTV a música “Eu Quero Sempre Mais”. Lembrando que a versão original desta música está no disco “Ira! – 7” (1996).
Anos mais tarde, o power trio roqueiro, Os Paralamas do Sucesso, gravou no Rio de Janeiro o DVD “Multishow Ao Vivo Brasil Afora” (2011), e adivinha quem estava presente no palco para cantar “Tendo A Lua”? Sim, ela mesma. A garotinha que ouvia Rauzito e Rita teve a honra de estar junto com o Herbert, Bi e Barone. Mais uma vez, a Pitty vivenciou o rock anos oitenta na era 2000.
Ao citar Rio de Janeiro neste contexto, lembramos da edição Rock In Rio 2011. Numa merecida homenagem a Renato Russo, Pitty cantou “Índios”. E em conjunto com o Dinho Ouro Preto, Herbert Vianna, Dado Villa Lobos, Marcelo Bonfá e outros artistas da música, a Pitty cantou “Pais e Filhos”. Foi uma noite memorável àqueles que estavam presentes, assim também, à Pitty.
Devo ressaltar que você reparou o quanto o rock dos anos oitenta esteve presente na vida e na carreira da Pitty. Aliás, esse balanço que relatei era para você perceber que o bom e velho rock jamais estará há sete palmos da terra.
A Pitty, assim como outros artistas, poderá relembrar o rock nacional anos oitenta, independente de qual ano estaremos. O importante é a música. Viva a música!
(Texto publicado em 2012)

Fabricio Mazocco

Fabricio Mazocco é jornalista, doutor em Ciência Política, professor universitário, fã de rock e criador do blog Rock 80 Brasil.

https://www.facebook.com/fabricio.mazocco

Um comentário em “O rock anos oitenta da Pitty

  1. Muito bom o texto e muito bem osbervado.
    Sempre achei influências do rock brasileiro nas música da Pitty porém nunca consegui comparar as músicas dela à de bandas de sua geração (na mídia). Seu peso, suas letras e postura têm muito mais a ver com bandas brasileiras dos anos 80 e 90 🙂

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