Primeiro show dos Titãs

Eles não eram oito e sim nove. O nome não era só Titãs e sim Titãs do Iê Iê. A banda nada mais era que um grupo de amigos reunidos em torno de uma ideia que ainda não estava em prática. Também tinha atitude, algumas músicas e figurino. O que faltava estava prestes a acontecer. 
Depois de alguns ensaios, foi no final do mês de agosto de 1982 que os Titãs do Iê Iê, formado por André Jung, Arnaldo Antunes, Branco Mello, Ciro Pessoa, Marcelo Fromer, Nando Reis, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto, conseguiram uma data para estrear a banda nos palcos: 15 e 16 de outubro de 1982, no Sesc Pompeia, na capital paulista. 
Agora sim a coisa ficou seria. Assim os integrantes fizeram uma agenda com uma rotina diária de ensaios. O local? Como bateria não se carrega no bolso, o pai de Andre Jung deixou os meninos ensaiar na sua casa. A edícula foi o lugar perfeito. Os ensaios eram entre as 10h e 14h e incluía também sábados e domingos, contando o período que paravam para experimentar os figurinos e apetrechos que estavam sendo criados pela Kaos Brasilis.
A produção foi de gente grande, como dizem, envolvendo vários colegas do grupo. Paulo Milani e Edu Elias criaram um cenário de tecido acetinado branco e preto, em formato xadrez; muitos amigos saíram às ruas colando cartazes; além das roupas a Kaos Brasilis também mudou o cabelo da moçada, nas tesouras de Ana Paula Silveira, que na época morava com Bellotto e tinham uma filha. Ou seja, quase tudo em família.
No total, foram 21 músicas, o que incluiu jingles, composições de outros e do próprio grupo, que não parava de compor (com exceção de Jung). Entre as composições próprias estavam “Ele deu no pé”, “Eu vim para ficar”, “Garotas do centro”, “Mahatma Ghandhi” (que entrou no primeiro disco com o nome “Demais), “Balada para John e Yoko” (recriada por Sérgio Britto a partir de “Ballad oh John e Yoko”, de Lennon e McCartney) e “Marvin” (versão de Britto e Nando Reis de “Patches”, de Dunbar e Johson). As três primeiros nem foram gravadas pelo grupo.
Se nove cabeças pensam, imagina isso em um repertório? Naquela apresentação inicial da banda rolou  de Odair José, passando por Noel Rosa, Tim Maia e até o tema da apresentação do seriado “Agente 86”. No palco o nervosismo da estreia foi em parte resolvido com algumas garrafas de conhaque. Na plateia cerca de 300 pessoas, sendo a maioria amigos. 
Esse é considerado pelos Titãs o primeiro show oficial. A partir daí os Titãs do Iê Iê da época iniciaram uma carreira em vários palcos e que no sábado completa 30 anos reunindo os sete integrantes. Valeu Titãs!
* Fonte: “A vida até parece uma festa – Toda a história dos Titãs”, de Hérica Marmo e Luiz André Alzer.
Fabricio Mazocco

Fabricio Mazocco é jornalista, doutor em Ciência Política, professor universitário, fã de rock e criador do blog Rock 80 Brasil.

https://www.facebook.com/fabricio.mazocco

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